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A ORIGEM DA INDUSTRIA CALÇADISTA

O surgimento do sistema coureiro-calçadista no País está intimamente ligado ao início da campanha no Rio Grande do Sul, uma vez que o couro dos animais era usado para a fabricação de calçados que,embora fossem ainda bastante rudimentares (tiras de couro eram usadas como se fossem linhas para unir peças), cobriam as pernas e os pés dos homens que faziam o manejo dos rebanhos e demais atividades no campo. Da mesma forma, os soldados que atuavam nas batalhas que aconteciam na fronteira gaúcha com os países do Prata também precisavam de proteção aos seus pés contra o frio no Sul do País e se valiam dos ainda precários calçados feitos na região.
As técnicas de curtimento começaram a se desenvolver, o couro de gado passou a ter melhor aproveitamento e os calçados aos poucos eram aprimorados. Naquela época, a matéria-prima não tinha valor agregado e era vista como sobra do processo de abate para a obtenção de carne. Com a influência dos colonos, boa parte da produção era de tamancos, para serem usados no dia a dia. Mas, devido ao aumento da população, os artesãos sentiram a necessidade de dominar novas técnicas de sapataria para melhorar a qualidade do calce e diversificar a modelagem. Para atender às solicitações, os sapateiros mediam o comprimento, a altura e a largura do pé do cliente objetivando a entrega de um produto o mais adequado possível.
A partir dos novos conhecimentos adquiridos começaram a surgir as primeiras empresas especializadas, o que acabou por conferir ao RS o status de berço da indústria coureiro-calçadista no País, embora, quando os primeiros alemães desembarcaram em São Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos, no dia 24 de julho de 1824, já houvesse na cidade de Franca/SP uma indústria embrionária voltada ao curtimento de peles.
De acordo com Gostinski, os conflitos armados, que foram um dos propulsores para o desenvolvimento da industria do calçado, também acabaram por impulsionar as primeiras exportações do setor: durante a Primeira Guerra Mundial, o exército africano encomendou um modesto volume de perneiras de couro para seus soldados e as linhas de produção, que já eram realidades em algumas regiões, deram um passo além voltando-se à confecção de coturnos. Anos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, os imigrantes alemães e o exercito da Venezuela também encomendou um volume considerável de calçados para os seus soldados. A entrega dos pedidos tinha que ser rápida, o que contribuiu para o desenvolvimento de técnicas de linha de produção industrial. A partir da década de 1940, a indústria coureiro-calçadista brasileira passou por processos de aperfeiçoamento permanente, e começou a ser reconhecida pela sua competência e a qualidade dos produtos.
Isso exigiu a produção em escala, que foi prontamente atendida pelas empresas gaúchas. Surgiu, então, o boom das exportações de calçados, e com ele um processo migratório do interior do Rio Grande do Sul rumo a Novo Hamburgo e cidades vizinhas. O estado se transformou em uma potência industrial com intensa mão de obra empregada, e esse sucesso motivou outros estados a também apostarem na produção de calçados. Surgiram então polos calçadistas em diferentes regiões do Brasil, especialmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.


Fonte: Tecnicouro- Edição 302.

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